Guia Michelin terá edição brasileira em março de 2015. Estrelas não são certeza

Por Juliana Bianchi , iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Inicialmente, apenas restaurantes de São Paulo e Rio de Janeiro serão avaliados por inspetores anônimos vindos da Espanha

Considerado a maior referência mundial em gastronomia, o Guia Michelin lançará sua primeira edição no Brasil no próximo ano, marcando a estreia da publicação na América do Sul. Inicialmente, apenas as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro estarão contempladas no guia bilíngue, cuja apresentação está programada para março. Mantendo a aura de mistério que tradicionalmente acompanha o guia, ainda não se sabe quantos restaurantes serão listados, muito menos se haverá casas com as aguardadas estrelas.

Mais: 10 passos para entender o Guia Michelin

Conheça alguns dos restaurantes triestrelados pelo Guia Michelin pelo mundo:

Allain Passard, do restaurante L’Arpège, em Paris, no topo do guia com suas três estrelas Michelin há anos. Foto: Alex Cretey-Systermans/The New York TimesL’Assiette Champenoise, um dos restaurantes mais novos a receber as sonhadas três estrelas Michelin na França. Foto: ReproduçãoLe Louis XV, em Mônaco, um dos restaurantes triestrelados de Alain Ducasse. Foto: DivulgaçãoSalão do restaurante do hotel Le Meurice, em Paris, hoje comandado por Alain Ducasse após a saída do chef Yannick Alléno. Foto: DivulgaçãoPierre Gagnaire: o chef francês está no Olimpo do Guia. Foto: DivulgaçãoOsteria Francescana, em Modena, um dos três estrelas Michelin na Itália. Foto: Divulgação/ Paolo TerziEnoteca Pinchiorri, um dos restaurantes mais tradicionais e estrelados da Itália. Foto: DivulgaçãoRestaurante El Celler de Can Roca, em Girona, na Espanha, três estrelas Michelin com os irmãos Roca. Foto: DivulgaçãoO chef Quique Dacosta, dá nome a seu restautante triestrelado em Dénia, na Espanha. Foto: NYTSukiyabashi Jiro Honten, do chef octagenário Jiro Ono, um dos destaques do Michelin no Japão. Foto: Reprodução

Também permanece oculto o número de inspetores, que há três meses já estão visitando hotéis e restaurantes no País. “Estamos trabalhando com profissionais que nos ajudaram a atualizar os guias em Portugal e Espanha, e que falam português. Mas com o tempo iremos treinar inspetores brasileiros, como fizemos nos outros 23 países em que estamos presente”, afirma Michael Ellis, diretor internacional dos Guias Michelin, em evento realizado em São Paulo nesta terça-feira.

Leia também: Vegetais ganham destaque em menus de restaurantes estrelados

Divulgação
Inspetores já deram início à avaliação de restaurantes em São paulo e Rio de Janeiro

Apesar das polêmicas que envolvem o guia em todo o mundo – especialmente na França, onde existe desde 1900 – a notícia foi recebida de forma positiva entre chefs e restauraters brasileiros. “Este é um bom momento para termos essa grande ferramenta para diferenciar os restaurantes e divulgar nossa gastronomia. O potencial para termos restaurantes três estrelas é grande, mas eles são muito severos. Vamos ver”, afirma Marcelo Fernandes, proprietário dos restaurantes Kinoshita, Attimo e Clos de Tapas.

A edição brasileira seguirá o mesmo molde dos novos guias do grupo, com fotos dos estabelecimentos e de alguns pratos, além de versão mobile. “O guia é uma importante ferramenta de marketing para nossa empresa e é importante que ela impacte o máximo de pessoas”, explica Damien Destremau, vice-presidente da Michelin pneus na América do Sul. De acordo com o executivo, antes mesmo da estreia, 60% das menções sobre a empresa nas redes sociais, no Brasil, têm como referência o guia.

Veja mais: Não se torne o Rei do Camarote

As avaliações dos restaurantes também seguirão o mesmo padrão usado nos demais países, onde aspectos como qualidade do ingrediente, ponto de preparo, técnica, cozinha autoral e regularidade são prioritárias frente ao serviço e o ambiente. “Para ter uma estrela um restaurante chega a ser visitado três ou quatro vezes e é preciso que todos os inspetores estejam de acordo. É um trabalho longo e muito dispendioso, já que vamos anonimamente e pagamos por todas as refeições”, diz Ellis. “A qualidade de um três estrelas tem que ser a mesma no mundo todo, ainda que as cozinhas sejam diferentes”, completa.

Leia também:
- Consultoria de luxo é profissão da vez
- Primeiras classes se transformam em apartamentos aéreos

Leia tudo sobre: Guia MichelinMichelinrestauranteestrelasGuia Michelin Brasilluxoigsp

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas