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Mauro Marcelo

O estilo de vida a partir da gastronomia, do vinho e outras experiências

É jornalista, crítico gastronômico, escritor e chef de cozinha. Especialista em vinhos, foi também editor do Guia 4 Rodas e da revista Gula

Estrelas ao sabor dos novos tempos

A edição de 2011 do Michelin, lançada nesta semana, revela que o guia está mais sintonizado com o desejo dos leitores

05/03/2011 07:51

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Foto: Divulgação Ampliar

Michelin, o velho e respeitado guia está mudando seu enfoque da gastronomia francesa

Sempre acusado de conservador, o Guia Michelin França 2011 mostrou-se ainda mais arredio neste ano, sem qualquer novo três estrelas, algo que não ocorria desde 1992. Ao contrário, raspou a terceira do chef Michel Trama, do l'Aubegarde, na cidade de Puymirol. E atento aos novos tempos de crise na economia do país (e da Europa de uma maneira geral), o guia indicou pela primeira vez mais restaurantes “Bib Gourmands” – aqueles cujo menu completo não ultrapassa 29 euros no interior e 35 em Paris – do que o total de estrelados: 601 contra 571 distinguidos com o famoso “macaron”.

Isso revela que o velho e respeitado guia está mudando seu enfoque na maneira de ver a gastronomia francesa, indo em direção de uma maior valorização dos restaurantes que não estão exatamente preocupados com os talheres de prata, mas com a autencidade de suas cozinhas, a preços razoáveis. Uma tendência atual dos consumidores europeus.

Mas lançou aqui e ali algumas surpresas. Uma delas em Lyon, para muitos a capital da clássica cozinha francesa, onde dois japoneses conquistaram a primeira estrela: Takao Takano, do LeBec et Taka, e Tsuyoshi Arai, do 14 Février. E em Paris, outro jovem chef, Shinichi Sato, do restaurante Passage 53, ganha sua segunda estrela fazendo uma cozinha franco-japonesa cada vez mais louvada.

São 25 os três estrelas na França, enquanto entre os 76 duas estrelas estão cinco novos: o recém-aberto l'Atelier Etoile, de Joël Robuchon, nos Champs-Elysées (onde o nome do chef é maior que a rotina da cozinha); o Jean-François Piège, do Hôtel Thoumieux, em Paris; o l'Archange, do chef Bruno Oger, em Cannet, na Côte d'Azur e o Logis de la Chabotterie, de Thierry Drapeau, em Saint-Sulpice-le-Verdon, na região de Vendée. A eles se junta Shinichi Sato.

Foto: GettyImages/Thinkstock

Boas surpresas nas duas estrelas concedidas pelo Guia Michelin França 2011

Com a queda nas vendas do guia impresso, o Michelin se adapta aos novos tempos através dos aplicativos para iPhone e Nokia com restaurantes europeus e ainda via internet para consulta e seleção de estabelecimentos com o ViaMichelin. E pela primeira vez em sua história centenária o guia classifica spas, além de indicar 3.970 hôtels e 502 maisons d’hôtes (casas que hospedam turistas).

E como nota bizarra da edição 2011, a consagração “póstuma” ao restaurante Les Hêtres, em Ingouville, no Norte do país, que ganhou uma estrela mas já havia fechado as portas no final de 2010. Se seu chef Max Bichot tivesse esperado dois meses...

Serviço:
Guide Michelin



 

Sobre o articulista

Mauro Marcelo - canalluxo@ig.com.br - É jornalista, crítico gastronômico, escritor e chef de cozinha. Especialista em vinhos, foi também editor do Guia 4 Rodas e da revista Gula

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