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Mauro Marcelo

O estilo de vida a partir da gastronomia, do vinho e outras experiências

É jornalista, crítico gastronômico, escritor e chef de cozinha. Especialista em vinhos, foi também editor do Guia 4 Rodas e da revista Gula

Prepare-se para beber champanhe com gelo

Uma entrevista com o chef de cave da Moët & Chandon, que veio a São Paulo anunciar o novo produto da maison

28/05/2011 13:09

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Foto: Divulgação Ampliar

Benoît Gouez: um trabalho original, dos vinhedos às viagens internacionais

A Moët & Chandon enviou à capital paulistana seu chef de cave, Benoît Gouez, para falar de alguns produtos de exceção da maison, mas já anunciou uma novidade para o próximo verão brasileiro: o champanhe Moët Ice Imperial, para ser servido com pedras de gelo, a ser lançado em outubro.

Gouez, antes, apresentou o Grand Vintage 2002, que definiu como excepcional “por sua originalidade, maturidade e assemblage”; o Moët Nectar Impérial, "cremoso, com aroma de frutas tropicais e especiarias doces, para acompanhar pratos agridoces e picantes”; o Moët Rosé Impérial, “vivo e refrescante” e, naturalmente, o consagrado Moët Impérial, carro-chefe da maison.

Nascido em uma região não-vinícola, a Bretagne, e agrônomo de formação, trabalhou em vinhedos da Califórnia, Austrália e Nova Zelândia antes de voltar para a França, já com especialização em enologia. Trabalhou no Sul da França por um tempo e em 1998 foi convidado pela Moët & Chandon, sendo promovido a chef de cave em 2005. Conversei com ele a respeito de suas funções, do estilo e novidades da maison.


iG: Quais as funções de um chef de cave?

Benoît Gouez: Acompanho a elaboração do champanhe desde o crescimento das uvas até a fase final do assemblage, quando ocorre a mistura de vinhos brancos (os chamados “vinhos tranquilos”) de diferentes safras e parcelas de terrenos que irão fermentar uma segunda vez, na garrafa, dando origem ao nosso estilo (NR: a exceção são os champanhes de uma grande safra, os chamados vintage ou millésimés, formados por vinhos daquele ano específico). Minha responsabilidade principal é a de garantir a qualidade e o estilo da maison. E em conjunto com o departamento de marketing viajo pelo mundo para apresentar nossos produtos.

iG: É um trabalho completo, que abrange todas as etapas...
Gouez: Sim, e é muito interessante. Sigo todas as fases, do trabalho no vinhedo até a promoção final no mercado. Acho isso original.

iG: O estilo dos diferentes produtos Moët & Chandon é global ou tem adaptações para mercados locais?
Gouez: Não, isso não ocorre há muito tempo. O que fazemos hoje é oferecer uma gama de diferentes estilos para atender a demandas específicas.

iG: Um exemplo?
Gouez: Vamos lançar aqui no Brasil, até o fim do ano, a Moët Ice Imperial. Por que esse novo produto? Sempre notamos que as vendas de champanhe atingem o máximo no fim de ano, na Europa, mas caem nos meses quentes. É um paradoxo. Há 30, 40 anos as pessoas bebiam champanhe com gelo, na Côte d´Azur. Queremos demonstrar que o champanhe não é uma bebida estrita, formal, por isso desenvolvemos um com toda a qualidade standard Moët & Chandon para ser consumido com gelo.

Leia mais sobre a Moët Ice Imperial

iG: Não vai ficar aguado?

Gouez: Não, Moët Ice Imperial é um champanhe muito intenso, justamente para permitir o equilíbrio no contato com o gelo. É preciso colocar na taça um máximo de três pedras e servir aos poucos.

iG: E Grand Vintage 2002?
Gouez: Um grande ano, por sua originalidade, sua maturidade e assemblage.

iG: Como é a identidade Moët & Chandon em relação às outras marcas do grupo LVMH?
Gouez: Existem três dimensões no estilo Moët & Chandon. O primeiro é o frutado característico, o segundo o equilíbrio em boca com boa acidez e estrutura e o terceiro a maturidade elegante do produto. É o que determina o nosso estilo.

iG: Os champanhes de exceção, vintage ou millésimés, representam qual porcentagem no conjunto da produção?
Gouez: A média na região de Champagne é de 10%, mas em Moët & Chandon é de 5% somente.

iG: Por quê?
Gouez: Somos muito seletivos a esse respeito. Perseguimos sempre a seleção mais original da colheita para os grandes champanhes.

iG: Ainda é possível desenvolver novos produtos?
Gouez: Sim, o último exemplo é a Moët Ice Imperial que vamos lançar. Ainda há possibilidades de evolução e criação. Estamos sempre pensando nisso.

iG: Qual o futuro do champanhe?
Gouez: Percebo duas direções. Uma delas aponta para champanhes ainda mais secos, extra-brut ligeiros e elegantes para os habitués. E acredito que também há uma outra possibilidade, na direção contrária, que é a de revisitar o estilo original do champanhe, um pouco mais frutado e doce, para a conquista de novos consumidores.


Serviço:

Moët & Chandon
SAC: (11) 3062-8388



 

 

 

Sobre o articulista

Mauro Marcelo - canalluxo@ig.com.br - É jornalista, crítico gastronômico, escritor e chef de cozinha. Especialista em vinhos, foi também editor do Guia 4 Rodas e da revista Gula

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