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Mauro Marcelo

O estilo de vida a partir da gastronomia, do vinho e outras experiências

É jornalista, crítico gastronômico, escritor e chef de cozinha. Especialista em vinhos, foi também editor do Guia 4 Rodas e da revista Gula

Tempo de sushi e vinho branco

Para variar o saquê, há uvas que se harmonizam bem com os enroladinhos

08/01/2012 06:53

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Foto: Thinkstock

É uma tendência cada vez mais valorizada: vinho branco com os crus japoneses

Casar vinho e sushi vai ser sempre difícil, mas não impossível. É um dos mais intrigantes desafios entre as culturas do Oriente e do Ocidente, acentuando as diferenças de quem procura o bem-estar. De ambos os lados.

Há anos, conversando com um famoso crítico gastronômico japonês em visita a São Paulo, ouvi dele que a preocupação maior dos que intuitivamente ou não criaram os fundamentos da culinária japonesa sempre foi a saúde. Daí a presença ostensiva do wasabi, do shoyu e do gengibre marinado em torno dos sushis. Sendo uma comida de risco, por envolver matéria-prima que se deteriorava com facilidade antigamente, os três mosqueteiros do sushi sempre agiram como profiláticos e tonificantes do estômago.

O saquê sempre foi a companhia natural para os japoneses, porém, com todo respeito à sua tradição, podemos optar pelo vinho. Mas se temos sushis e também sashimis variados à frente, abraçados pelo ardido do wasabi, a acidez do gengibre e o sal do shoyu, o que colocar na taça? Já se falou muito do champanhe e de espumantes, mas a acidez do brut provoca um certo stress na língua depois de algum tempo (não esquecer que o gengibre é marinado no vinagre, mesmo que o açúcar quebre um pouco essa sensação).

Não abre mão de harmonizar comida japonesa com saquê? Então confira algumas dicas.

Foto: Thinkstock

Vinhos com as uvas gewürztraminer e pinot gris: na linha de frente da harmonização


Então, na guerra dos contrastes que promove a paz da combinação, faz boa presença um vinho aromático e com um certo veludo para acalmar o ímpeto dos três mosqueteiros. Um bom gewürztraminer, portanto, fenomenal uva dos vinhedos alsacianos e alemães. Se preferir um vinho mais seco, a pinot gris francesa ou a pinot grigio italiana também têm boas chances de dar certo.

Alguns dizem: para aumentar as possibilidades de harmonia, basta não comer o gengibre, passar pouquíssimo wasabi e quase ignorar o shoyu. Mas de que vale a vida sem sal, pimenta e um pouco de acidez?

 


 

 

Sobre o articulista

Mauro Marcelo - canalluxo@ig.com.br - É jornalista, crítico gastronômico, escritor e chef de cozinha. Especialista em vinhos, foi também editor do Guia 4 Rodas e da revista Gula

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