Empresas aéreas investem em mordomias para a primeira classe

Chuveiros a bordo, refeições três estrelas e massagens são alguns dos serviços oferecidos a bordo

The New York Times |

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Cabine da primeira classe da Lufthansa tem sistema que aumenta em 25% a umidade para diminuir efeitos do jetlag

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A distância entre a primeira classe e a econômica nunca foi maior.

As empresas aéreas que mantêm voos internacionais estão oferecendo suítes particulares para passageiros de primeira classe, refeições três estrelas e atendimento somente encontrado em aviões corporativos. Elas fornecem massagens antes da decolagem, conduzem os passageiros por guichês especiais da alfândega e os levam em limusines particulares até o avião. Alguns têm bares. Uma companhia área instalou chuveiros a bordo.As comodidades no fundo do avião? Poucas.

As empresas aéreas estão engajadas numa batalha global pelos altos executivos e os super-ricos nas rotas internacionais. Embora somente alguns privilegiados possam pagar US$ 15 mil para voar na primeira classe de Nova York a Cingapura ou Sydney, as companhias apostam que a imagem luxuosa que projetam na frente atrai passageiros para o resto do avião. Isso inclui uma classe executiva crescente com ofertas que já foram exclusividade da primeira classe.

Primeira classe é "status"

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A atriz Rachel Weiss empresta sua beleza para a suíte da primeira classe da British Airways
Embora a primeira classe agora represente menos de cinco por cento dos lugares nas rotas de longa distância, e a executiva responda por 15 por cento, a soma dessas poltronas gera de 40 por cento a 50 por cento das receitas de uma companhia aérea, segundo Peter Morris, economista-chefe da Ascend, consultoria do setor de aviação.

Como regra geral, a classe executiva custa de cinco a dez vezes o preço de um bilhete econômico, enquanto a primeira classe costuma custar o dobro da executiva. "A primeira classe", disse Brett Snyder, presidente da Cranky Concierge, site de assistência para viagens aéreas, "é status".

Até a década de 1980, a primeira classe tinha mais espaço do que a econômica, mas não era tão chique. As poltronas na frente ofereciam mais espaço para as pernas, mas não reclinavam mais do que 40 por cento. A comida também era melhor na primeira classe, embora as refeições da econômica fossem melhores do que agora. Com a globalização, principalmente com o crescimento asiático, os passageiros passaram a exigir mais da primeira classe, especialmente nos novos aviões que podiam realizar rotas mais longas sem escalas.

As companhias aéreas expandiram o foco, antes limitado a Londres , Paris e Nova York , para centros econômicos emergentes como Hong Kong, Xangai e Dubai .

"Decerto, o passageiro de primeira classe é uma pessoa muito graduada dentro da empresa, vindo de uma longa viagem de volta ao mundo, e provavelmente fazendo algo muito importante para os negócios", afirmou John Slosar, CEO da Cathay Pacific Airways. "Ele quer poder dormir, trabalhar no discurso, quem sabe tomar um banho no desembarque, para chegar à toda."

De olho na Ásia e no Oriente Médio

Divulgação
Adega a bordo permite ao passageiro de primeira classe da Emirates escolher e adquirir vinhos especiais

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A British Airways esteve entre as primeiras empresas áreas a mudar a definição do que a primeira classe deveria significar, oferecendo poltronas que se transformavam em camas nos voos longos, durante a década de 1990.

Nos últimos anos, as companhias aéreas mais agressivas a acrescentar toques de classe à primeira classe vieram da Ásia e Oriente Médio, entre elas Cathay Pacific Airways e Singapore Airlines. A Emirates, sediada em Dubai, passou a oferecer suítes pessoais para passageiros da primeira classe em 2003 e, em 2008, instalou para eles dois chuveiros no Airbus A380.

As empresas aéreas europeias logo reconheceram a ameaça. A Air France, por exemplo, agora tem sala de espera para a primeira classe em Paris, com spa e restaurante atendido pelo chef Alain Ducasse . Os funcionários da imigração entram na sala de espera para verificar os passaportes e os passageiros são conduzidos ao avião numa limusine, poucos segundos antes de as portas fecharem.

Porém, as companhias áreas dos EUA demoraram mais a reagir, principalmente porque somente agora conseguiram verba para atualizar as cabines. Agora, elas têm pouca escolha. As rivais internacionais estão começando a invadir ainda mais os mercados domésticos, além de Nova York e Los Angeles . A Emirates, por exemplo, anunciou que começaria a voar entre Dubai, Dallas e Seattle no começo do ano que vem.

"Se não reformar as cabines, você fica apenas com as rotas menos rentáveis", disse Morris. "Não existe opção."

De olho na executiva

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A United Airlines decidiu manter a primeira classe somente em algumas rotas internacionais
A primeira classe também serviu como laboratório para comodidades aéreas que terminaram sendo levadas para o resto do avião. Telas individuais agora são encontradas no espaldar das poltronas da econômica. As poltronas que viram cama passaram para a classe executiva.

Na verdade, a executiva ficou tão confortável que, em muitos casos, pode rivalizar com a primeira classe.
"As pessoas exigem mais da executiva do que antigamente", declarou Snyder.

"É por isso que algumas companhias aéreas concluíram que o mercado para passageiros da primeira classe é pequeno demais para justificar os investimentos, principalmente porque os passageiros das poltronas da frente costumam ser promovidos da executiva ou obtêm as passagens usando milhas aéreas.

"O tamanho do avião tem limites", disse Jim Compton, diretor de faturamento da United Continental Holdings. "E a realidade é que a demanda pelo produto em todos os mercados não está necessariamente ali."

Após a fusão com a Continental no ano passado, a United Airlines decidiu manter a primeira classe somente em algumas rotas internacionais que eram atendidas pela United, mas não nas servidas pela Continental. Ela também está instalando poltronas-camas na classe executiva.

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A Delta Air Lines não tem primeira classe, só executiva e econômica, e a Qatar Airways não tem primeira classe na frota de Boeings 777, que atende os Estados Unidos. Outras empresas reduziram o número de poltronas na primeira classe. A Air France agora só mantém a primeira classe em 28 cidades internacionais, de uma rede de mais de 250 destinos.

A Lufthansa, por sua vez, manteve a primeira classe na maioria dos voos, mas removeu metade das poltronas para se concentrar numa experiência mais íntima a bordo. No novo avião A380, a Lufthansa instalou um sistema que aumenta a umidade da primeira classe em 25 por cento, o que, segundo a companhia, ajuda a reduzir o "jetlag". Ela também isolou a seção com material à prova de som especial.
"É nosso produto nobre e os clientes estavam pedindo mais intimidade, mais privacidade", disse Juergen Siebenrock, vice-presidente para as Américas do Sul e do Norte da Lufthansa. "Se quiser ser competitivo, é preciso atualizar o produto."


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