Morar em uma casa com grife vira tendência no Brasil

Piero Lissoni e outros grandes nomes da arquitetura mundial desembarcam no País para construir projetos exclusivos

Marcos Zeitoune, especial para o iG |

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O arquiteto Piero Lissoni ao lado da maquete de seu projeto para o Quinta da Baronesa
Depois dos carros de luxo, dos barcos e aviões particulares, a moda agora para os bem-afortunados no Brasil é investir em imóveis projetados por algumas das pranchetas mais famosas do mundo. Pelo menos é o que acredita o renomado arquiteto e designer italiano Piero Lissoni, que esteve no País nesta semana para apresentar seu novo projeto residencial para construtoras e clientes em potencial. Os convidados especiais foram recebidos para um brunch no último domingo, no condomínio de luxo Quinta da Baroneza, em Bragança Paulista, onde a casa será erguida.

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A ocasião marcou também o lançamento do programa de estágio do estúdio Lissoni no Brasil, com três alunos brasileiros – um da USP e dois da PUC-RJ –, selecionados para a oportunidade única de estagiar durante uma temporada no escritório dele, em Milão.

Um dos nomes mais influentes da atualidade, Lissoni não é o primeiro a apostar no filão de residências de luxo no Brasil. O arquiteto polonês naturalizado norte-americano Daniel Libeskind, responsável pelo projeto que sucederá as Torres Gêmeas, em Nova York, esteve no País recentemente para o lançamento de sua primeira obra na América Latina. O prédio residencial assinado por ele terá catorze apartamentos com preço inicial de R$ 9 milhões. Localizado no bairro do Itaim-Bibi, na zona sul de São Paulo, o edifício Vitra contará com imóveis que variam entre 558 m² e 1.146 m² de área útil; a previsão de entrega é para 2013.

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“Cultura é o novo cult”, afirmou Lissoni. “Os investimentos vão girar ao redor de arte e arquitetura”, defendeu. O italiano não pareceu estar brincando. Para marcar o lançamento de seu primeiro projeto residencial no Brasil, ele e a sócia Nicoletta Canesi estivem pessoalmente na Quinta da Baroneza a fim de escolher o terreno de 8 mil m² que abrigará a casa.

A construção, em estilo millefoglie, é composta por camadas que se sobrepõem, e terá cerca de 800 m² de área construída. Organizada em formato de pavilhões, a casa de concreto, vidro e madeira terá a biblioteca como ponto central. “Primeiro decidi para que lado do terreno ficaria a biblioteca, e só depois projetamos toda a casa em função dela”, conta o arquiteto. “Quero acreditar que quem adquire uma casa em um condomínio com este tem tempo e prazer em se dedicar à leitura.” Os parceiros brasileiros ainda não foram escolhidos, mas o projeto está avaliado em cerca de R$ 8 milhões.

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Para Lissoni, apesar do tamanho, a casa será aconchegante. “Os pavilhões foram projetados para conferir amplitude – aproveitando a vista do local –, mas, ao mesmo tempo, privacidade. Quando se estiver em um dos cômodos, a impressão será de estar sozinho. O clima desta região do Brasil é muito parecido com o da Toscana, e há espaço para relaxar e refletir”, diz.

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O projeto em estilo millefoglie, é composto por camadas que se sobrepõem, e terá cerca de 800 m² de área construída
Possivelmente o maior designer italiano em atividade, Piero Lissoni comanda um escritório com mais de 70 profissionais em Milão. Elegante e brincalhão, ele comenta que gosta de desenhar com a alegria de uma criança. A parte séria do negócio fica por conta da sócia e ex-esposa Nicoletta Canesi, responsável por toda a operação, além de comandar a filial nova-iorquina da marca. Com 30 anos de experiência, Piero Lissoni ficou famoso mundialmente pelo design de produtos para marcas importantes como Kartell, Floss, Matteo Grassi, Alessi, Knoll e Cassina. Presença obrigatória no Salão do Móvel de Milão, atualmente se destacam seus inúmeros projetos de lojas, residências, iates e hotéis de altíssimo luxo.

Desenho a casa para mim; o cliente apenas paga e mora”

Desmistificando tudo o que se diz sobre a relação cliente-arquiteto, Lissoni age certo de que desenha “arte”. E aqueles que quiserem se aventurar em ter uma residência projetada por ele terão de se resignar com o resultado, seja ele qual for. “Desenho a casa para mim; o cliente apenas paga e mora”, sorri o arquiteto. “Veja, não se trata de arrogância; mas eu escolho os meus clientes, ou vítimas, muito bem; e eles são poucos a cada ano.” Apesar da declaração, Lissoni mostra-se tão simpático e educado que a dureza da afirmação parece não combinar.

“É preciso correr riscos e ter uma visão independente daquela do cliente”, afirma ele em voz baixa, quase inaudível. “Temos de ser claros e sinceros: quem pretende ter uma residência assinada por mim sabe que ela terá a minha marca. Não é possível, por exemplo, projetar algo retrô. Estamos em 2012 e temos de ser modernos, ao invés de apenas reproduzir coisas do passado.” Quem se aventura a encomendar um imóvel com grife que esteja preparado.


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