Produção artesanal coloca Uruguai na rota do azeite de alta qualidade

Região de Punta del Este ganha fazendas de produção de azeite extravirgem que abrem sua porteiras para degustação

Nara Alves , de Punta del Este *

A120 km do badalado balneário uruguaio Punta del Este, 14 fazendas de azeitona colocaram a região na rota do turismo gastronômico internacional. Concentrados na Serra dos Caracóis e na Serra de Carapé, na província de Maldonado, os solos férteis e os ventos oceânicos do leste do Uruguai dão condições para a produção artesanal de azeite extravirgem de altíssima qualidade. Além de exportar o azeite, produtores abrem suas porteiras para receber turistas interessados na degustação.

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As primeiras oliveiras que deram origem à Rota do Azeite foram plantadas na região há menos de 10 anos. Foto: Nara AlvesBucolismo e alta gastronomia nos campos de Punta del Este. Foto: Nara AlvesBodega Garzon, produtora uruguaia que recebeu medalha de ouro em competição de azeites realizada em Mendoza. Foto: DivulgaçãoCom agendamento prévio é possível visitar a produção de azeite e participar de degustação guiada. Foto: DivulgaçãoNa Finca Babieca, aula sobre o plantio das azeitonas e a extração do azeite. Foto: Nara AlvesDegustação conduzida na Finca Babieca, harmonizada com queijos. Foto: Nara AlvesDiferentes tipos de azeite da região podem ser comparados lado a lado. Foto: Nara AlvesEmbutidos típicos do Uruguai acompanham os azeites à mesa. Foto: Nara AlvesAproveitar a vista e conhecer de perto as oliveiras faz parte do passeio na Rota do Azeite . Foto: Nara Alves

O surgimento da rota do azeite, chamado de Ruta del Olivo, uruguaio é recente. As primeiras oliveiras foram plantadas na região há menos de 10 anos. Como o pé leva de três a seis anos para crescer e dar frutos suficientes para a produção do azeite, a maioria das fazendas está em sua segunda ou terceira colheita. E o turismo ainda é insipiente. Por não terem boa infraestrutura para receber visitantes, as degustações ocorrem de maneira bastante informal.

Hoje, a microbacia produtiva uruguaia ocupa 500 hectaresde oliveirais. Para chegar lá a partir de Punta del Este, é preciso seguir por 80 km nas estradas 9, 12 e 39, que são asfaltadas, mas sem iluminação. Há ainda um trecho de terra de 11 km de muito sobe e desce pelo Caminho dos Caracóis. O trajeto passa por vinícolas, moinhos, um parque eólico e pelo povoado Éden, de 200 habitantes.

Para quem tem um bom preparo físico e uma boa bicicleta, é possível fazer o passeio pedalando na companhia de aves. Há pica-paus-do-campo, corvos, príncipes, tesourinhas, batairuçus e águias. O caminho passa também pela Lagoa del Sauce, na estrada 12, onde é possível praticar esportes náuticos e pescar.

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Altíssima qualidade

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Produtores de azeite e vinho se intercalam na rota do azeite

Uma das principais produtoras de azeite extravirgem da rota é a fazenda Finca Babieca. Comandada pela engenheira química Isabel Mazzicchelli, diretora do Instituto de Gastronomia do Uruguai, a empresa foi criada por quatro amigos espanhóis de Bilbao que viram nas terras uruguaias uma oportunidade de investimento. Em 2005, quando compraram a fazenda, o país passava por uma crise econômica que derrubou o preço das terras. Agora, exportam para os Estados Unidos e Europa e miram o mercado brasileiro.

“Para ser considerado extravirgem, o azeite tem de ter até 0,8% de acidez, mas nosso azeite não ultrapassa os 0,3%. Então, essa não é uma preocupação para nós. Aqui, o que determina a qualidade são os procedimentos”, explica Isabel. A Finca Babieca está em sua terceira colheita. Tudo é feito manualmente e o processamento é realizado no mesmo dia da colheita. “Produzimos um litro de azeite a cada 10 kg de azeitona, ou seja, aproveitamos 10%. Acima de 20% não há qualidade”, diz.

Uma vez tirados das oliveiras, os frutos são levados em pequenas caixas plásticas até o local do processamento. “Não utilizamos o sistema a granel para não amassar o fruto durante o transporte, como fazem em produções de azeite comum”, compara. Além disso, até 600 kg de azeitonas são armazenadas no mesmo recipiente, enquanto na produção de azeite comum este número pode chegar a 5.000 kg.

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No processo mecânico, sem refinamento ou intervenção química, a colheita é filtrada e amassada separadamente, por qualidade. “Em vez de um amassador que mistura qualidades diferentes, aqui temos três amassadores para garantir a pureza e não misturar com as azeitonas trazidas de fora para serem processadas aqui”, conta.

Outro diferencial da Finca Babieca é que não se usa prensa, mais barata e mais suja, segundo Isabel. Ali se utiliza uma centrífuga e depois se decanta o produto para retirar o resto de sólido. “Somos os únicos no Uruguai que faz isso”, afirma a engenheira. Segundo ela, o azeite produzido lá tem “zero defeito sensorial”, um verdadeiro deleite para os amantes do produto.

O azeite de maior qualidade é o chamado Premium, elaborado com azeitonas da variedade arbequina. Há também azeites frutados, picantes, amargos e com sabor de ervas, feitos com outras variedades de azeitona.

Serviço

A visita à Finca Babieca sai por US$ 30 por pessoa, mas precisa ser agendada com antecedência pelo e.mail. O turista participa de uma aula sobre a produção, com direito a degustação do azeite, vinhos e queijos artesanais.

Grupos a cima de 15 pessoas podem negociar um almoço com carne de caça preparado por um chef convidado. O preço varia de acordo com o cardápio escolhido. Uma das opções é uma paella com carne de coelho preparada na cozinha ao ar livre, improvisada, na estrutura preservada do antigo curral da fazenda.

Para quem vai de táxi, a viagem pode sair por cerca de US$ 400, mas os principais hotéis de Punta del Este organizam grupos e cobram cerca de US$ 30 por pessoa. Para quem vai de bicicleta, é recomendável ir acompanhado, estudar bem o caminho e ir bem agasalhado no inverno, pois os ventos oceânicos podem ser bastante intensos na região.

A repórter viajou a convite do Conrad Punta del Este Resort & Casino

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