Escritório de design que criou a Ferrari estuda parcerias no Brasil

Traços da Pininfarina eternizados no automobilismo hoje se estendem a iates, interiores e acessórios sem perder o DNA de luxo

Samira Almeida , especial para o iG |

O italiano Paolo Farina, terceira geração da família Pininfarina e presidente do grupo de design que leva seu sobrenome, esteve ontem em São Paulo, em evento promovido na Faap (Fundação Armando Alvares Penteado) para selar a parceria da instituição com a Câmara de Comércio de Turim e o Centro Externo de Internacionalização do Piemonte, que devem prestigiar a criação do curso de design e interiores da fundação no próximo semestre.

Responsável pelo design dos carros da Ferrari e Maseratti, a Pininfarina assumiu, a partir dos anos 1990, projetos diferenciados: indo do mobiliário, do design de interiores (hotel The Keating, nos Estados Unidos) e das obras arquitetônicas (estádio do Juventus, na Itália) a eletrônicos e acessórios. Veja alguns exemplos na galeria abaixo e leia a entrevista concedida pelo presidente da empresa. Paola Farina fala sobre o DNA de luxo da marca, que se multiplica por suas criações. 

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A parceria mais tradicional e duradoura da Pininfarina, com a Ferrari, deu origem a carros que são objeto de desejo mundial. Foto: DivulgaçãoEm parceria com a Schaefer, a Pininfarina assina o iate Shcaefer 620, que foi apresentado no Brasil e custa a partir de R$ 5,6 milhões. Foto: DivulgaçãoMaseratti Granturismo é um dos sucessos que marca a história da Pininfarina no design de carros. Foto: DivulgaçãoInstalado numa construção de 1890, em San Diego, o The Keating é a primeira experiência da Pininfarina em desenhar os interiores de um hotel. Foto: DivulgaçãoEntre os móveis e acessórios escolhidos para equipar os quartos do The Keating, está a Morphosis Jacuzzi Tub, também desenhada pela marca. Foto: DivulgaçãoA parceria entre a Pininfarina e a Snaidero – indústria de cozinhas – rende frutos há vinte anos. Foto: DivulgaçãoO estádio do Juventus, em Turim, foi projetado para funcionar não apenas nas partidas de futebol, mas como centro recreativo todos os dias. Foto: DivulgaçãoVista interna da luxuosa tribuna de honra no estádio do Juventus, em Turim. Foto: DivulgaçãoO vidro de perfume que celebra o 180º aniversário da francesa Guerlain foi encomendado a Paolo Farina e desenvolvido no studio de design. Foto: DivulgaçãoO capacete Airflow une conforto e design; é resultado da parceria entre a Newmax (especializada em capacetes de luxo) e a Pininfarina . Foto: DivulgaçãoOs dispensers da Coca-Cola desenhados nos studios da Pininfarina foram premiados no Good Design Award 2011 e oferecem mais de 100 bebidas. Foto: Divulgação

iG: A Pininfarina sempre foi reconhecida pelo design dos carros Ferrari. Porque fizeram a escolha de abraçar outros mercados?
Paolo Farina: Nossa marca é sinônimo de tradição, bom gosto e tecnologia. E isso sempre ficou muito presente nos carros que desenhamos, pela própria natureza do trabalho. Daí, criar para outros mercados, para marcas que possuem o mesmo DNA ou que desejam transmitir os mesmos conceitos, era uma evolução natural de nosso trabalho. E tem sido uma experiência muito interessante porque há carros cuja exclusividade faz deles ainda mais desejados. E com criações como as máquinas de Coca-cola, por exemplo, pudemos vivenciar o design para um público maior. Afinal, é uma troca que sempre beneficia a todos.

iG: Há diferença entre projetar um carro, um vidro de perfume ou um estádio de futebol?
Farina: Para responder de modo bem simples, não. Porque a maneira de pensar o design é bastante semelhante e a personalidade da Pininfarina é também muito clara. Obviamente, quando se troca de material, utilidade, público e necessidade de durabilidade, tudo muda. Todas essas premissas guiam o processo de criação. Mas é justamente aí que está o talento da nossa marca: projetar de garrafas e dispensers a máquinas automotivas, sempre com luxo e personalidade marcante.

iG: O que o Brasil pode aprender com os italianos? Por outro lado, o que temos a oferecer?
Farina: Nós estamos há muito tempo nesse mercado; diria que o que nos diferencia é principalmente a experiência, inclusive como nação, cultura e tradição. Mas visamos não apenas trazer produtos italianos para os brasileiros; queremos especialmente trabalhar em parceria com empresas e designers nacionais para criar novas oportunidades para todos. Hoje há muitos brasileiros mostrando suas qualidades fora do País e isso é muito bom. O Brasil tem muitas semelhanças culturais em relação à Itália, mas é bem mais jovem, então, é como se fosse uma terra inexplorada que nós podemos ajudar a desenvolver.

Fernando Silveira/ Divulgação
Paolo Farina, presidente do grupo de design Pininfarina

iG: E no campo dos negócios, qual o foco da empresa no Brasil?
Farina: Não é possível negar o chamariz que é o lucro num País como esse. Estive aqui recentemente numa feira náutica, apresentando um iate que desenhamos para uma empresa europeia. Lá, ela vende quatro unidades num ano, aqui se vende 40 no mesmo período! Mas veja, o que mais interessa no País é o suporte que se cria para novas tecnologias, novas parcerias e novos negócios. Pensamos, por exemplo, em fazer uma mostra da Pininfarina aqui – como a feita em Londres durante as Olimpíadas – porque sabemos que o Brasil é uma plataforma de lançamento, um país que valoriza a criatividade e que tem alta capacidade de consumo e de influência. Isso interessa não só a nós, mas a todos.

iG: Na sua opinião, o que sempre terá espaço no mundo do design, o que é tendência?
Farina: É difícil falar de tendências porque o público hoje é muito diverso. Há tendências para quem compra luxo, para quem é jovem, para as mulheres, as famílias... é uma gama muito grande. Mas ter personalidade é o essencial para fazer sucesso no mercado de design. Com personalidade você pode criar um hotel, um dispenser de refrigerantes e um carro – que são coisas totalmente diferentes – e ainda assim ser reconhecido em cada um deles.

iG: Nesse momento há alguma parceria da Pininfarina em andamento no Brasil?
Farina: Nada que possamos falar ainda; as pessoas têm pouca noção de que quando anunciamos qualquer parceria, o relacionamento é muito anterior. É como um namoro: primeiro a gente se apresenta, depois se conhece mais e mais... até uma hora casar. Nos negócios é igual. Nesses dias em que estarei aqui devo me encontrar com representantes de empresas com as quais tenho conversado desde minha última visita, na feira náutica. Claro que eu desejo muito trazer para São Paulo a mostra que fizemos em Londres – e gostaria antes das Olimpíadas de 2016 – mas é preciso tempo para encontrar os parceiros certos, que valorizam sua marca e desejam estar atrelados a ela.

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