Educação em arte é essencial para quem quer investir no segmento

Por Samira Almeida , especial para o iG |

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Crescimento do mercado de arte no Brasil estimula a busca por cursos livres, aulas exclusivas e viagens voltadas ao tema

O número de colecionadores e interessados em arte está crescendo no Brasil. Somente na última edição, a SP-Arte recebeu mais de 22 mil visitantes, enquanto a ArtRio teve público de 74 mil pessoas. Incremento em torno de 60% em relação aos anos anteriores, em ambas. Movimento que vem alimentando fortemente um mercado de cursos e serviços personalizados para quem busca conhecimento sobre o tema.

O segredo na hora de explorar esse mundo novo, de acordo com a consultora Daniele Dal Col, é não ter vergonha de perguntar. “Não existe pergunta boba e para gostar de arte só tem uma coisa obrigatória, que é a curiosidade”, diz ela que já trabalhou na galeria Fortes Vilaça e dirigiu a Moura Marsiaj. “O processo é quase sempre o mesmo: o comprador começa orientado por alguém ou muito próximo de uma galeria e, com o passar do tempo, vai treinando o olhar e passa a fazer as próprias escolhas”.

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Os números da última edição da SP-Arte, em abril, mostram que o mercado está aquecido: 122 galerias e 22 mil visitantes. Foto: DivulgaçãoFernanda Feitosa, fundadora e diretora da SP-Arte, recomenda frequentar circuitos de arte para formar referências. Foto: DivulgaçãoUma das salas da Casa do Saber, que além de ser parceira de uma série de instituições, oferece espaço, professores e até cursos exclusivos. Foto: DivulgaçãoFachada da Escola São Paulo, que promove cursos com artistas e acadêmicos em turmas comuns ou exclusivas, conforme necessidade do aluno. Foto: DivulgaçãoNo Instituto Inhotim, em Minas Gerais, a experiência com a arte é obrigatoriamente imersiva e as visitas podem ser personalizadas. Foto: DivulgaçãoO Instituto B_arcos fica em espaço anexo à Galeria Virgilio e programa cursos com criadores, filósofos e artistas nacionais e internacionais. Foto: DivulgaçãoOs sócios do Núcleo Contemporâneo do MAM desfrutam de visitas prévias às exposições, ateliês de artistas e roteiros culturais exclusivos. Foto: DivulgaçãoEncontros de convívio com artistas, curadores e galeristas fazem parte da programação do Núcleo Contemporâneo do MAM. Foto: DivulgaçãoA Pinacoteca dispõe de dois mecanismos de participação para colecionadores: os Amigos e os Patronos da instituição. Foto: DivulgaçãoVisitas a museus e patrimônios históricos e culturais fazem parte da rota “Arte na Escandinávia”, da Latitudes. Foto: DivulgaçãoDepois de anos trabalhando em galerias, Daniele Dal Col colabora hoje com acompanhamento de colecionadores e na organização de acervos. Foto: DivulgaçãoFlorence Antônio criou a ArteHall, que reúne informação, serviços e um clube de arte via internet. Foto: Divulgação

Criadora e diretora da SP-Arte, Fernanda Feitosa explica que frequentar museus, bienais e galerias ajuda a formar suas próprias referências visuais e bibliográficas, mas frequentar cursos livres e eventos oferecidos pelas próprias instituições de arte é um bom começo para mergulhar nesse universo. “Quando você entra nesse âmbito o círculo se completa e você começa a conhecer mais profundamente até o mercado”, conta o colecionador Márcio Silveira. Entre as atividades mais reconhecidas estão as do Instituto Tomie Ohtake, do Núcleo Contemporâneo do MAM (do qual se pode ser sócio pagando uma anuidade e participar de uma série de eventos, visitas, e palestras), e os programas Amigos da Pinacoteca (no mesmo padrão) e Patronos da Pinacoteca (para convidados, com outros benefícios e voltado para a ampliação do acervo e das atividades).

Outras possibilidades de aprendizado nascem em espaços como Casa do Saber, Instituto B_Arco, Escola São Paulo e Instituto Inhotim, além de nas próprias galerias de arte, que promovem encontros com artistas, vernissages e consultorias para aproximar os interessados do tema. Iniciativas semelhantes são promovidas pela própria SP-Arte (durante o evento) e por sites especializados como o ArteHall, que criou um clube de “art education” no qual, mediante pagamento de anuidade, organizam-se visitas acompanhadas a museus, galerias, making-off de exposições, coleções particulares, ateliês de artistas, palestras com pessoas do meio e viagens relacionadas ao tema.

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Divulgação
No Instituto Inhotim, em Minas Gerais, o contato com a arte acontece durante passeio pelo jardim

Quem prefere uma orientação mais personalizada pode buscar a ajuda de curadores – que encabeçam discussões sobre obras e movimentos históricos, podem apresentar artistas ou guiar visitas a museus no Brasil e no exterior a pedido de colecionadores – e consultores, como Daniela dal Col e Patricia Gomide Recoder, que ajudam a selecionar não apenas o melhor investimento, mas as obras que tenham maior significado para os compradores. “A arte como investimento até pode parecer um negócio fácil e rentável, mas é algo de tão longo prazo que realmente tem que ser muito prazeroso. Se você não gosta disso de fato, melhor apostar em um fundo de investimentos”, afirma o executivo financeiro e colecionador Fabio Szwarcwald.

Uma das maiores referências nesse segmento “ultra personalizado” é o escocês radicado no Rio Charles Watson, professor na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, em cuja lista de ex-alunos figuram colecionadores e também artistas como Beatriz Milhazes e Adriana Varejão. Assim como outros curadores e críticos – como Agnaldo Farias, Paulo Herkenhoff e Rodrigo Naves – Watson permite-se trocar conhecimento de alto nível com colecionadores dentro de uma agenda exclusiva e específica, como reuniões de debates ou viagens.

Já quem busca imersão pode pesquisar o menu de viagens de conhecimento da agência Latitudes, que organiza programações exclusivas para pessoas ou grupos seletos interessados em arte. “Quem participa dessas viagens está mais interessado no aspecto cultural da arte do que em um possível investimento. Até porque, muitas vezes o historiador de arte têm opiniões contrárias aos dos marchands. É importante saber que há muita moda nesse mercado, mas Picassos e Michelangelos são para o resto da vida”, afirma o mestre em História da Arte Hélio Dias Ferreira. Dia 18 de julho ele parte com um grupo para Helsinki, Estocolmo, Oslo e Copenhagen, prestigiando os melhores museus e patrimônios arquitetônicos e culturais da região. Batizado “Arte na Escandinávia”, o passeio de 16 dias custa 7.989 euros por pessoa, mais as passagens aéreas, os seguros obrigatórios e os traslados.

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Serviço:

Amigos da Pinacoteca
Tel: (11) 3324-1000

ArteHall
Tel: (11) 3063-4630

ArtRio

Casa do Saber
Tel: (11) 3707-8900

Charles Watson

Daniele Dal Col

Escola São Paulo
Tel: (11) 3060-3636

Escola de Artes Visuais do Parque Lage
Tel: (21) 3257-1800

Galeria Fortes Vilaça
Tel: (11) 3392-3942

Instituto B_Arco
Tel: (11) 3081-6986

Instituto Inhotim
Tel: (31) 3571-9700

Instituto Tomie Ohtake
Tel: (11) 2245-1900

Latitudes
Tel: (11) 3045-7740

Núcleo Contemporâneo do MAM
Tel: (11) 5085-1300

Patricia Gomide Recoder

Simbiose na Arte

SP-Arte
Tel: (11) 3094-2820


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