Didier Ludot: o rei do vintage em Paris

Conheça o caçador de alta costura vintage queridinho das famosas

Alline Cury, especial para o iG de Paris | 18/08/2010 16:14

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Colecionador e caçador profissional de raridades da alta costura há 36 anos, Didier Ludot é considerado o rei do vintage de luxo na capital francesa. Proprietário de três butiques no charmoso Palais Royal, o especialista faz questão de atender suas clientes pessoalmente enquanto conta com detalhes a história de cada peça.

Foto: Alline Cury, especial para o iG

Com grande acervo de roupas vintage, o brechó de Didier Ludot, em Paris, é uma aula de moda

Como é ele quem faz a seleção de tudo o que está em suas butiques, Didier sabe explicar a época em que as roupas foram produzidas, de onde vieram e se tiveram alguma dona célebre. Ou seja, uma simples visita em sua loja de alta costura é uma aula de moda, história e muitas curiosidades.

O especialista recebeu a reportagem do iG Luxo em Paris, para uma entrevista exclusiva, sobre moda vintage, alta costura e suas clientes, muitas vezes famosas. A maioria da clientela é japonesa, mas Ludot gaba-se de suas compradoras estreladas. "Reese Witherspoon ganhou o Oscar vestindo um Christian Dior vintage de 1955 comprado comigo."

Foto: Alline Cury, especial para o iG

Uma das peças à venda na loja: vestido de alta costura assinado por Thierry Mugler, de 1985

iG: Como surgiu a ideia de fazer uma butique vintage de luxo?
Didier Ludot: Eu sempre admirei a moda, pois minha mãe era uma mulher muito elegante. Como ela não podia comprar vestidos de alta costura, reproduzia modelos luxuosos com a ajuda de sua costureira pessoal. Desde pequeno eu participava do processo da compra de tecidos, também costurava algumas roupas e acompanhava as provas de vestidos. Além disso, tínhamos uma casa bem grande, então todas essas roupas luxuosas sempre ficaram bem guardadas. Foi então que, em 1974, decidi abrir minha primeira butique vintage no Palais Royal.

iG: E por que o Palais Royal?
Ludot:
Um belo dia estava passeando pelo Palais Royal, fiquei completamente apaixonado pelo lugar e disse: "É aqui que eu quero me instalar". Foi neste momento que decidi comprar a minha primeira loja. Comecei com uma pequena butique de acessórios e joias dos anos 30. Depois as pessoas começaram a me trazer bolsas, casacos de peles e vestidos, e eu tive que comprar mais um espaço no Palais Royal para separar a alta costura dos acessórios. Em 1999, comprei uma terceira butique para instalar a minha grife La Petite Robe Noire, apenas de vestidos pretos.

iG: Como você seleciona as peças?
Ludot:
Eu já faço isso há muito tempo. Então, hoje em dia, a seleção das peças é mais ou menos em função do que as pessoas me trazem e dos contatos que eu já tenho. Normalmente trago vestidos do sul da França, de Mônaco, da Suíça e da Itália. Se uma senhora quer se desfazer da sua coleção de vestidos de alta costura, sabe onde me encontrar.

Foto: Alline Cury, especial para o iG

Ensemble de soir de Jean Patou, de 1967: outra oferta de Ludot

iG: A partir de que momento uma peça pode ser considerada vintage?
Ludot:
Eu não tenho a mesma concepção de vintage que as pessoas normalmente têm. Considero o vintage um "grand cru", como o termo que vem da enologia. Então, acho que o vintage é algo que pode ser antigo e também moderno, mas tem que ser principalmente raro. Por exemplo, os vestidos de alta costura de John Galliano, que acabaram de ser feitos, na minha concepção são peças vintage, pois só pouquíssimos exemplares representam o estilo de Galliano na Christian Dior. São peças excepcionais. Acho que o termo vintage evoluiu.

iG: O que encontramos nas suas butiques?
Ludot:
Na butique de alta costura tem todos os grandes nomes da moda francesa, como Balenciaga, Christian Dior, Balmain, Yves Saint Laurent e Chanel, entre outros. Na loja de acessórios tenho muitas bolsas Hermès, normalmente os modelos mais antigos e alguns clássicos, como a Birkin e a Kelly. Também tem Chanel e outras bolsas dos anos 30, 40, 50 e 60, sempre de marcas francesas de luxo.

iG: Quem é a sua clientela?
Ludot:
A maioria da minha clientela é japonesa. Elas compram bolsas e acessórios. Para a alta costura, normalmente são só americanas ou italianas. Não tenho muitas clientes francesas.

iG: Você tem clientes famosas?
Ludot:
Tenho muitas! Sharon Stone, Nicole Kidman, Naomi Campbell, Linda Evangelista, Kate Moss, Julia Roberts e qual o nome mesmo? Ah, Reese Witherspoon, que recebeu o Oscar vestindo um Christian Dior vintage, de 1955, comprado comigo. Elas vêem aqui pois sabem que encontram verdadeiras raridades da alta costura. Nos Estados Unidos não existem butiques vintage luxuosas, por lá é tudo "ready-to-wear".

Foto: Alline Cury, especial para o iG

Peça de alta costura da grife Christian Dior, datada de 1978

iG: E estilistas?
Ludot:
Também tenho muitos clientes estilistas. Stefano Pilati vem em busca de peças Yves Saint Laurent para fazer parte de seu acervo. Marc Jacobs também compra bastante. Miucha Prada é colecionadora. Michael Kors, Karl Lagerfeld e muitos outros novos estilistas compram as roupas para ver como as costuras, bolsos e cortes eram feitos antigamente.

iG: Por que você acha que algumas mulheres preferem comprar roupas vintage?
Ludot:
Porque são roupas raras. Normalmente, pouquíssimos exemplares foram confeccionados. Por exemplo, quando uma mulher quer arrasar em um evento, compra um vestido de festa Dior ou Balenciaga vintage, pois ela tem certeza de que será a única a usar o modelo. Também acho que elas escolhem comprar comigo porque as roupas que passam pela minha seleção são clássicas, eternas e não saem da moda. Além disso, tem o fator “trésor”. Acho que elas compram roupas vintage como se fosse um tesouro, uma joia rara.


iG: Os preços são mais atraentes na moda vintage?
Ludot:
Sim, sim! Um vestido bordado de alta costura vintage varia de 3 mil euros a 7 mil euros. Se uma mulher encomenda um vestido de alta costura atual, o preço começa em 30 mil euros, 40 mil euros. Por exemplo, eu tenho tailleurs de alta costura Chanel dos anos 60 que custam de 2.500 euros a 4.500 euros, esse é o mesmo preço de um casaquinho "prêt-à-porter" moderno, com milhares de exemplares distribuídos no mundo inteiro, que qualquer um pode comprar.
 

 

 

 

 

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