Rossana Orlandi de olho no Brasil

Interessada em ampliar seu portfólio, uma das galeristas mais respeitadas de Milão diz que já colocou o País em sua rota

Juliana Bianchi, de Milão |

Andrea Maia
A galerista Rossana Orlandi em momento de descontração
Ela tem fama de durona e inacessível, mas fabulosa quando se trata de apontar quais serão os próximos designers a movimentar o mercado com peças ousadas e destinadas a fazer história.

Considerada uma das melhores galeristas de Milão e apontada pelo Financial Times como a grande guru do design contemporâneo, há oito anos Rossana Orlandi desviou seu olhar apurado com a pesquisa de tendência de moda para dedicar-se inteiramente ao design, seja ele mais próximo da arte ou do utilitário longe do lugar-comum.

Em seu espaço labiríntico, próximo ao Museu de Ciência e Tecnologia – endereço de uma antiga fábrica –, ela reúne uma gama de peças de design, arte, artesanato, louças, móveis vintage e edições limitadas produzidas por artistas de todo o mundo.

Confira as peças mais surpreendentes apresentadas este ano durante a Semana de Design de Milão

“Meu talento é ter o olhar apurado para selecionar peças e fazer um mix que toda casa deveria ter”, diz ela que, aos 66 anos, tem planos de desfilar seu figurino fashionista no Brasil muito em breve. Quer lançar seu olhar através dos óculos de grau superoversized de aro colorido, que marcam seu estilo, sobre os designers brasileiros. “Conheço pouco, mas gosto muito do que vejo”, afirma, durante rara entrevista concedida durante a semana de design.

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Rossana Orlandi circula por sua galeria
Por enquanto, Rossana conta apenas com trabalhos dos irmãos Campana para a NativoDesign e Wagner Archela , que após ser friamente dispensado por ela uma vez, conseguiu sua atenção por meio de uma assistente que lhe concedeu não mais que dois minutos. O escritório recebe, em média, cinco novos projetos por dia, número que quadriplica durante a semana de design . “Tem trabalhos na minha sala que eu nem sei de onde são”, conta Marco Tabasso, assessor de comunicação de Orlandi.

“Ela é difícil, mas fazer parte de seu portfólio é, sem dúvida, algo muito importante para qualquer designer”, diz Archela, que entende a importância de ter suas peças lado a lado com as de Tom Dixon, Massimiliano Adami, Nacho Carbonell, Maarten Baas, Manuela Crotti e dezenas de outros jovens designers que despontam no mercado. “Rossana é muito bem relacionada e virou, rapidamente, referência mundial”, explica o designer Christian Ullman , colunista do iG.

No dia da entrevista, uma manhã ensolarada, Rossana circulava no pátio externo de sua galeria com passos lentos, mas certeiros, indo de conversa em conversa. Só fazia pausas para orientar a apresentação de uma peça, expulsar visitantes inconvenientemente sentados em cadeiras e mesas expostas ou requisitar a limpeza de um canto esquecido na passagem. “As pessoas estão aqui para ver coisas bonitas.”

iG: O que é design para você?
Rossana Orlandi:
Basicamente emoção. E funcionalidade, que é muito, muito importante. Eu nunca compro uma cadeira ou sofá que não seja confortável.

iG: Mas o design não está cada vez mais próximo da arte?
Rossana:
Isso é outra história, porque o design pode ser arte ou ser funcional. Antes mesmo de começar a criar uma peça, o designer precisa saber em que direção ele quer ir. Se será apenas emoção e prazer ou função. Algumas vezes é difícil estabelecer essa diferença, mas eu acredito que seja essencial, até mesmo em relação ao preço que irá praticar. Por exemplo, o trabalho de Nacho Carbonell é pura arte e não design como muitos classificam.

iG: Então, em sua galeria pode-se dizer que você mistura essas duas linhas.
Rossana:
Com certeza. E faço isso porque acredito que uma casa deva ter uma mistura dos dois, como é a minha.

iG: Quais seus critérios para escolher os designers e peças que irá representar?
Rossana:
“Feeling”. É preciso que eu me identifique primeiro com a peça, o trabalho, e depois com o artista em si.

Confira galeria com os mais recentes trabalhos selecionados pela galerista



iG: Você representa os irmãos Campana e Wagner Archela.
Rossana:
Gostaria de ter mais brasileiros, porque gosto muito do país e do trabalho feito por lá. Infelizmente, nunca visitei o Brasil e conheço poucas coisas, todas muito fortes. Mas está nos meus planos viajar para lá o quanto antes.

iG: Você começou trabalhando com moda. Como o design entrou na sua vida?
Rossana:
Eu trabalhava com pesquisa de design e tinha de andar muito para ver o que estava acontecendo no mundo e na vida das pessoas, para saber para onde a moda caminhava. Hoje, todo mundo tem acesso a informação de moda, mas naquela época você tinha que pesquisar muito e ficar atenta. E comecei a ver que o design me trazia sempre muita informação e novidade, por isso acabei me apaixonando.

iG: A galerista Rossana Orlandi também é uma artista?
Rossana:
Não, de forma alguma. Até consigo ir para a máquina e fazer algumas peças de tricô, mas não desenho nada. Meu talento é ter o olhar apurado para selecionar peças e depois fazer a ponte entre artistas, designers e o público.

iG: Em sua coleção particular de design, de que trabalho ou artista mais gosta?
Rossana:
Ingo Maurer, eu amo o trabalho dele. Tenho uma coleção de peças antigas dele. Infelizmente não o represento, mas ele é sempre um querido.



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