O que é melhor: investir em um jatinho ou voar de 1ª classe?

Enquanto em uma aeronave particular é possível voar a qualquer hora, companhias aéreas investem no tratamento VIP aos clientes

Alessandra Oggioni, especial para o iG |

Divulgação
O luxuoso jato Falcon 7X é uma das opções para viajar a qualquer hora e a qualquer lugar
Quem tem de subir toda hora em um avião, seja para viagens de negócios ou lazer, mas não abre mão de ter o máximo de conforto, pode ter se perguntado se não seria melhor ter um jato particular ao invés de voar de primeira classe . Mesmo com todas as regalias da First Class, como comida preparada por chefs renomados, poltronas ultrareclináveis e sala de embarque com massagista, o fato é que os passageiros VIP também estão sujeitos aos problemas recorrentes das companhias aéreas comerciais. Desta forma, pode haver atrasos nos voos , malas perdidas e perda de conexões.

Isto pode explicar uma das razões para o crescimento do mercado de jatos no Brasil. De acordo com a Abag (Associação Brasileira de Aviação Geral), a frota brasileira de aeronaves gerais passou de 10.054, em 2000, para para 12.310 unidades, em 2010. Destas, 540 são jatos, o que representa 4% da frota do País.

De acordo com a Embraer , uma das fabricantes nacionais de jatos, esse movimento vem atendendo principalmente à demanda de empresas que buscam no avião executivo uma ferramenta de produtividade, para auxiliar na prospecção e desenvolvimento de negócios dentro e fora do Brasil.

Divulgação
65% do público da primeira classe da Air France é formado por executivos
A necessidade de deslocamento por parte desses empresários se faz mais rápida e necessária, especialmente em cidades que não são bem atendidas pela aviação comercial. “A comunidade da aviação executiva consiste de empresas de vários tamanhos que vêem a aeronave como ferramenta de trabalho que as ajudam a serem mais produtivas, mais competitivas, mais eficientes e, consequentemente, bem-sucedidas”, diz Ernest Edwards, presidente da Embraer Aviação Executiva.

Leia também: Os cinco melhores jatos à venda no Brasil

Além de percorrer cidades de difícil acesso no Brasil, o jato também pode ser útil para um “bate-volta” no exterior. Desta forma, um executivo pode sair pela manhã, pousar em Nova York, participar de uma reunião, fechar um negócio e retornar ao Brasil no mesmo dia. “O jato executivo deixou de ser luxo para ser uma ferramenta de trabalho”, defende Rodrigo Pesoa, diretor de vendas da Dassault Falcon para a América do Sul.

Pesoa afirma que 90% dos clientes da francesa Dassault Falcon no Brasil usam o jato próprio para realizar negócios. No ano passado, a marca forneceu sete aeronaves no País - que se tornou o terceiro maior mercado em número de vendas da Dassault Falcon no mundo.

Custos complexos

Uma das grandes vantagens de ter um jato próprio é poder trabalhar com privacidade durante o voo. “Os jatos executivos fornecem um ambiente de escritório no ar que é extremamente particular. Você pode dar telefonemas, fazer apresentações, ter reuniões, enviar e receber e-mails, tudo dentro da sua cabine, longe dos olhos de estranhos”, diz Jeff Miller, vice-presidente de Comunicação da Gulfstream , empresa norte-americana fabricante de aeronaves.

Divulgação
Em um jato particular, executivos têm mais privacidade para trabalhar e até fazer reuniões a bordo
Com muitos recursos tecnológicos e flexibilidade para voar a qualquer momento, é claro que os gastos são altos. Além da compra da aeronave – que varia, em média, entre US$ 15,5 milhões e US$ 65 milhões –, os custos operacionais envolvendo tripulação, combustível, manutenção, alimentação, entre outros são de cerca de US$ 4 mil dólares por hora de voo. Já um bilhete de Primeria Classe para a Europa, saindo de São Paulo, sai em torno de US$ 10 mil.

No entanto, segundo Rodrigo Pesoa, o cálculo dos valores operacionais de um jato particular é bem mais complexo. “É preciso pensar o quanto se está ganhando por ter esta flexibilidade. Muitas vezes, é preciso ser rápido para fechar um grande negócio”, defende. Ele garante também que, quanto mais o jato for utilizado, mais a diferença entre voar de primeira classe e de avião particular vai se equiparando.

Para Miller, apesar dos custos elevados, é possível que um jato comercial seja mais econômico que a primeira classe, especialmente se tiver um número maior de pessoas de uma mesma empresa viajando para um local de difícil cobertura das companhias aéreas comerciais. “Se for esse o caso, a viagem não é apenas dispendiosa em termos de dinheiro, mas também em termos de tempo. Deste modo, voar em um jato executivo pode ser mais barato que na primeira classe”, defende o representante da Gulfstream.

Despreocupação na primeira classe

Divulgação
A exemplo da Lufthansa, companhias aéreas oferecem cada vez mais serviços para a primeira classe
Em contrapartida, viajar de primeira classe pode ser vantajoso para quem não quer ter a preocupação de manter um jato em boas condições de uso e manutenção, ou mesmo para quem não voa com tanta frequência. "Na primeria classe certamente a pessoa será muito mais mimada do que em um jato privado, pois preparamos todo o ambiente e os serviços para que se tenha uma experiência única", afirma Fabrice Pascual, gerente global para o mercado de luxo da Air France.

E para atrair o público que não abre mão do conforto e das mordomias a bordo, as companhias aéreas comerciais têm investido cada vez mais nos serviços de primeira classe. A Lufthansa, por exemplo, dispõe de assistentes pessoais para cada passageiro, carro de luxo - como Porsche Panamera, para levar o cliente até o avião -, refeições gourmet a bordo, closet individual com chave e cortinas que absorvem ruídos, proporcionando maior isolamento acústico durante o voo.

No Boing 777-200, da Air France, os quatro únicos assentos da La Premiere recebem a atenção exclusiva de dois atendentende, menu com assinatura do chef Joël Robuchon, amenities Clarins e drinques criados pelo bartender chef do hotel Plaza Athénée.

Leia também: Empresas aéreas investem em mordomias para a primeira classe

De acordo com Pascual, 65% dos passageiros da primeria classe são executivos acostumados a esses e outros luxos também fora dali. Daí a Lufthansa ter ido alé da aeronave e criado um serviço de “Private Jet”, com voos diretos para mais de mil destinos com itinerário flexível, de acordo com a necessidade do cliente. “É um serviço perfeito para quem quer chegar a destinos não servidos pelos voos comerciais e não tem um jato particular à disposição”, afirma Joerg Waber, diretor de Comunicação Corporativa da Lufthansa para a América Latina.

Acompanhe as novidades do iG Luxo também pelo Twitter







Serviço:
Air France

Dassault Falcon


Embraer

Gulfstream

Lufthansa Private Jet


    Leia tudo sobre: jatojatinhoprimeira classevoovoo comercialaviãoaeronave

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG