A emoção de participar de uma regata

Longe do conforto dos iates, navegar em um veleiro digno de corridas oceânicas é garantia de aventuras únicas

Mauricio Nadal, enviado iG a Itajaí* |

Gigantes de US$ 6 milhões (R$ 11, 2 milhões) com mais de 20 metros de comprimento, a uma velocidade de até 80 quilômetros por hora. Assim são os barcos da Volvo Ocean Race , corrida oceânica de volta ao mundo, considerada a Fórmula 1 dos mares. Realizada em Itajaí, Santa Catarina, em abril, ela dividiu as águas – e os veleiros – com a Pro-Am Race, regata que não vale pontos para a classificação, mas garante a poucos privilegiados ter uma amostra do prazer de participar de uma aventura como essa.

Para embarcar é preciso ser convidado. Isto é, não é tipo de experiência que se compra, mas se conquista com bons contatos e amizades. A bordo do Puma – quarto colocado na competição que só termina no início de julho, na Irlanda – vivenciei uma sensação única.

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Divulgação/ Amory Ross-Puma
Barco Puma, dos EUA, venceu a última regata da Volvo Ocean Race

Conhecer um pouco do dia a dia de velejadores que passam por dezenas de países e percorrem mais de 70 mil quilômetros no mar, é impressionante. Cada barco conta com onze velejadores comandados por um capitão, no caso do Puma, o americano Ken Read. Os desbravadores se distanciam de suas famílias durante nove meses no ano pelo simples prazer de velejar e ultrapassar desafios.

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“Sensações como a de contornar o Cabo Horn são impressionantes, valem por todo o nosso esforço”, diz o capitão Read. “Somos movidos pelo desafio de completar as etapas. Quanto mais difíceis e duros são os obstáculos, mais prazer e emoção nos dão de completarmos os desafios”, completa o veterano velejador, de mãos calejadas, que descascavam devido ao sol.

Divulgação/ Paul Todd_Volvo Ocean Race
Atletas ficam até nove meses por ano no mar


Conduzir uma máquina dessas é surreal e absolutamente libertário. Absolutamente sensível a qualquer movimento brusco, o timão precisa ser manipulado com muita cautela. De frente para o vento, fiquei por pouco mais de um minuto dirigindo o Puma sob as instruções do capitão. Os ventos em Itajaí, naquele dia, não eram intensos e o mar estava calmo, portanto não me molhei em nenhum momento de nossa viagem, uma pena.

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Mas esses corajosos aventureiros não vivem às mil maravilhas dentro dos barcos. O caminho para conquistar os desafios é árduo e muitas vezes dolorido. Mesmo vencendo a etapa mais recente, de Auckland, na Nova Zelândia, até Itajaí, o time Puma contou com três tripulantes machucados dentro do veleiro.

Divulgação/Paul Todd_Volvo Ocean Race
Barcos largam em busca de mais um desafio pela regata que dá a volta no mundo
Se no deque o vento e a água do mar borrifando elevam o prazer, ao descer as escadas em direção à cabine a sensação muda. No ambiente abafado e sem conforto algum que serve para as horas de descanso e a estocagem de material a temperatura pode passar de 40ºC. Estreitas macas coladas à parede chama a atenção. “Eu não chamaria isso de cama, mas é aqui que a gente dorme”, conta Amory Ross, tripulante de mídia do barco, com pés descalços e esbanjando um rosto bronzeado.

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Naquele espaço minúsculo, apertado e totalmente desconfortável existem ainda uma minicozinha, dois navegadores, um computador e uma máquina de costura. Isso mesmo, os velejadores sabem costurar. Mas para tudo existe uma explicação. No caso da vela rasgar eles têm que costurá-la às pressas. “Sabemos costurar, então podemos ser bons maridos”, comentou, aos risos.

Desde o momento em que desci para a cabine, minha mente não parava de fazer comparações entre o conforto da parte interna de um iate – ainda que pequeno – e dos barcos que participam da Volvo Ocean Race. Mas nesse tipo de embarcação o foco não está no conforto de espreguiçadeiras macias, das camas com lençóis de linho ou nos banheiros com Jacuzzis, mas na própria aventura de desbravar o mar e desafiar a natureza.

Divulgação/Amory Ross_Puma
Velejador do Puma sente a brisa do vento deitado na proa do barco
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É complicado dizer qual foi o momento mais emocionante durante o tempo que passei velejando com esses campeões, mas certamente nunca mais vou esquecer a sensação da brisa no rosto e da vela passando rente ao corpo, de acordo com a direção do vento, enquanto relaxava deitado sobre a proa.

A sensação de velejar em um desses gigantes é tão emocionante que o tempo passa absurdamente rápido. Quando o barco de apoio veio nos buscar, sinceramente não acreditava que a aventura tinha terminado. Poderia jurar que acabara de entrar no veleiro. Após uma hora no barco, que pareceram 15 minutos, agora entendo um pouco o por que de eles ficarem tanto tempo longe de suas famílias pelo simples prazer de velejar.


*O jornalista viajou a convite da IWC Schaffhausen

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