Crise global gera novos códigos e tendências no universo do luxo

Esqueça os brilhos e excessos nesses tempos de instabilidade. Peças clássicas, sóbrias e marcas pouco óbvias são a saída para manter o estilo com discrição

Kike Martins da Costa , especial para o iG |

Em tempos de crise nas finanças e na economia mundial, a atitude dos consumidores de produtos e serviços de luxo sofreu drásticas mudanças. Conceitos foram revistos, velhos hábitos passaram a ser condenados, novos códigos se consolidaram e, enquanto algumas marcas caíram em maldição, outras subiram de cotação.

De 2008 até bem recentemente, o “luxury shame” (vergonha do luxo, em português) transformou a ostentação em um pecado grave, fez modismos descartáveis ganharem a pecha de mera tolice e a sobriedade se tornar um comportamento positivo e valorizado. Quem diria: a austeridade de Dilma Rousseff e Angela Merkel acabou virando um poderoso ícone fashion! Por fim, o consumo mais consciente virou uma forma de gerar aceitação e um remédio para eventuais “culpas”.

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Modelo estilo BoBor assinado por Marc Jacobs

No mês passado, no entanto, um estudo da consultoria Bain & Co. detectou que a tal “luxury shame” perdeu força, com as vendas de muitos artigos de luxo voltando a seus patamares pré-crise ou superando esses volumes. Mas não tem mais jeito: algumas das mudanças de hábito que surgiram nos momentos mais agudos da crise ainda permanecem valendo e devem seguir assim por mais algum tempo. Afinal, a crise não dá sinais claros de que atingiu seu pico ou de que vai acabar logo. Incerteza ainda vai ser a palavra de ordem por mais uns bons anos. Como disse Bette Davis no clássico “A Malvada”, apertem os cintos, este vai ser um percurso cheio de emoções!

Veja a seguir o que está em alta e o que está cada vez mais down no high society, como dizia aquela velha canção.

1. ROUPAS

No mundo fashion, a crise fez com que o momento não seja nada favorável a extravagâncias. Brilhos e excessos estão em baixa. O look clochard e as roupas com jeitão de brechó ganham destaque nas coleções de estilistas e marcas top como Marc Jacobs e Louis Vuitton. O estilo BoBor (bourgois & boring) vira também uma forte tendência, com suas roupas ultrassimples, praticamente sem detalhes trabalhados e sem tecidos e estampas exuberantes. Mas, segundo a consultora de estilo Paula Martins, nem tudo está perdido: “Dá para vestir essas roupas e ainda assim exalar glamour”, afirma.

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2. ACESSÓRIOS

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Jogo de malas Berluti, com ares vintage

Entre os acessórios, percebe-se uma volta aos clássicos. Em tempos de crise, o melhor é não arriscar e apostar em marcas e produtos que trazem consigo uma tradição, um statement de que o que é bom dura e é para sempre. No mercado de óculos, ícones “eternos” como os modelos aviador e wayfarer da Ray Ban e da Persol estão mais do que nunca em alta. Quando o assunto é bolsas, as Louis Vuitton seguem no topo, agora com uma possibilidade de customização e personalização cada vez maior. Para os homens, calçados Ferragamo e bolsas Berluti são itens "must have".

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3. RELÓGIOS

Nada está mais fora de propósito como os exageros do bling bling. Em tempos de crise, de gangues especializadas em roubos de grandes marcas e arrastões até nos restaurantes mais insuspeitos, o negócio é dar um tempo nos relógios tipo “cebolão” e com detalhes dourados ou cravejados de brilhantes. Os excelentes Rolex e Breitling viraram verdadeiros ímãs que atraem olhares de raiva, inveja e cobiça.

Aposte em marcas tão boas e bacanas quanto, mas que não carregam essa imagem, como Panerai, Hublot e Patek Philippe. Agora, luxo mesmo é ter um Le Temps Suspendu, da Hermès, um relógio que tem um dispositivo que, quando ativado, conduz todos os ponteiros para o 12. Dessa forma, seu proprietário terá um tempo só para si e não verá as horas passarem. Quer algo mais incrível do que criar seu próprio intervalo no fluxo da história? Preço? US$ 18 mil.

Saiba mais sobre o relógio Le Temps Suspendu, da Hermès

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Le Temps Suspendu, da Hermès


4. JOIAS

Para quem não consegue ficar sem comprar uma joia mesmo nos duros tempos de crise, aqui valem também algumas dicas já mencionadas no verbete sobre moda: nada de bling bling ostensivo e de espalhafatosos dourados, o momento está mais para peças com cara de herança familiar, em ouro velho e design retrô. Outra tendência forte nesse segmento de joias são as peças com pedras grandes, mas com aspecto mais bruto sem tanta lapidação. Essa é a senha para você desfilar as suas esmeraldas e rubis sem culpa e sem medo de ser feliz. Mas cuidado com os exageros: nada de ficar com cara de árvore de Natal ou com algo que remotamente remeta a Hebes Camargos e Vals Marchioris!

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Câmera Lytro: foco corrigido depois do clique

5. GADGETS

Segundo a WSGN, empresa especializada em detectar tendências e novos hábitos de consumo, estes são tempos que convidam as pessoas a explorar diferentes culturas, estilos de vida e tecnologias, registrando tudo e difundindo esse novo conhecimento de novas formas visuais. Para isso, nada melhor do que a revolucionária câmera Lytro. Quem vê a caixinha metálica tão simples não imagina seu poder: a câmera utiliza um conceito inédito de registrar a imagem e seu grande diferencial é permitir que o usuário aprimore o resultado final depois de capturar a cena, quando tudo já estaria definido e irreversível com uma câmera convencional. Depois do clique, a imagem é armazenada com todas as cores e formas, e só então começa-se a corrigir o foco e outros detalhes. O preço? Meros US$ 400! Ah, e valem aqui também aqueles códigos da moda - não se seduza por celulares cravejados de brilhantes e aparelhos domésticos ou equipamentos eletrônicos desenhados pela Ferrari ou pela Ducati. Essas são chinfras sem sentido e desconectadas da razão e da funcionalidade.
 

6. PERFUMES

Seja você mesma e deixe de lado, por favor, as fragrâncias que trazem nomes de celebridades no rótulo, como Sarah Jessica Parker, Beyoncé, Antonio Banderas e David Beckham. Cada vez mais, os consumidores AAA procuram essências exclusivas, únicas, raras e com identidade forte, de preferência que estejam conectadas a um lugar, a uma história, a uma tradição. Exemplo disso é o Liaisons Dangereuses, da Kilian, marca que é tocada pelo perfumista Kilian Hennessy, herdeiro do criador do famoso conhaque. Feito com rosas de damasco e especiarias indianas, a fragrância vem numa embalagem desenhada por Sophie Matissse, bisneta do pintor francês.

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Liaisons Dangereuses, da Kilian, com embalagem de Sophie Matisse

Outro ícone é o Clive Christian Nº 1, considerado perfume mais caro do planeta. Produzido na Inglaterra, utiliza preciosos extratos de baunilha do Tahiti, jasmim indiano e rosa centifolia. O frasco com apenas 30 ml custa 2.700 libras na sofisticada Fortnum & Mason londrina.

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7. CARROS

Os incidentes com Thor Batista foram apenas as gotas d'água: esportivos ultrapotentes e velozes como Ferraris e Porsches definitivamente não têm nada a ver com as ruas e estradas brasileiras. Além disso, são automóveis beberrões e antiecológicos.

Muito mais apropriados aos novos tempos é o Tata Pixel, um carrinho micro recheado de acessórios de luxo, como faróis de led, portas-tesoura e controles computadorizados que podem ser integrados a tablets e smartphones - e o brinquedo ainda roda 29 km com um único litro de diesel! A fábrica indiana que o produz é a nova dona de marcas tradicionais como Jaguar e Land Rover. Outro modelo em alta é o Tesla S, o primeiro carro elétrico esportivo, que atinge até 200 km por hora e já foi adotado por gente como George Clooney e Matt Damon. Mas atenção: para andar nessa velocidade, procure uma highway ou um autódromo. Não vá pilotar sua nova máquina desse jeito nas ruas de São Paulo!

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Sai Ferrari entra o petit Tata Pixel

8. GASTRONOMIA

Os preceitos da ecologia e da sustentabilidade chegaram para ficar nos melhores restaurantes do mundo. Ingredientes que, para serem produzidos, maltratam animais e dizimam populações estão em baixa – caso do caviar, do atum blue fin e do foie gras. Além disso, trazer essas iguarias de outros países vai totalmente contra a tendência cada vez mais forte no mundo todo de fortalecer os hábitos, as tradições e as especialidades locais e regionais. É pensando assim que o dinamarquês Noma chegou ao topo do ranking da revista britânica “Restaurant” e é agindo assim também que o paulistano DOM ocupa uma honrosa 4ª colocação. Luxo é transformar produtos como o palmito pupunha, a semente de baru ou a priprioca em itens gourmet e comê-los preparados artesanalmente com o melhor das técnicas da gastronomia internacional! O oposto disso são os restaurantes de chefs celebridade que possuem filiais em Londres, Nova York, Hong Kong, Paris e Las Vegas, todos com o mesmo cardápio. Onde fica o chef? Como fazer para um produto típico da França ter a mesma qualidade do servido em Hong Kong ou Las Vegas? Não embarque nessa.

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Safári fotográfico no Pantanal

9. VIAGENS

Na opinião da consultora Gabriela Otto, especialista em luxo e viagens, os destinos em alta são aqueles com um apelo ambiental ou cultural, como Peru e Israel. As paisagens intocadas ou preservadas de países como Nova Zelândia, Patagônia e Croácia também estão num bom momento. Para quem busca privacidade e quer fugir da badalação, as ilhas particulares ou villas em lugares como Fiji, Filipinas, Seychelles ou Mustique (no Caribe) são a melhor opção. Por conta da imagem negativa gerada pelos escândalos do estouro da bolha e do início da crise financeira, ainda é melhor evitar paraísos fiscais como Bahamas e Mônaco. Fazendas de preservação de espécies da fauna local, como os alojamentos de Sabi Sabi na África do Sul ou do delta do Seringueti (no Quênia) estão também entre os destinos top por conta de seu trabalho em favor da natureza e das comunidades locais. No Brasil, quem tem uma proposta semelhante é a Pousada Cayman, no Pantanal, que promove safáris para observação de onças pintadas e oferece confortáveis opções de estadia.

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10. SEXO

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Design e material nobre para brincadeirinhas privê

Foi-se o tempo do sexo casual. O bacana hoje em dia é uma noite a dois sem parafernálias e traquitanas, em um clima de total intimidade, com muita entrega e compartilhamento de emoções intensas. Isso sim é luxo – não tem preço! Mais do que um simples orgasmo, o objetivo é uma experiência significativa e um momento de envolvimento. Agora, se a coisa tiver que ser resolvida solitariamente, o mais indicado para elas são os vibradores – ou melhor, massageadores clitorianos - da marca sueca Lelo. O modelo Yva, banhado a outro, custa R$ 7.800 e opera em cinco diferentes pulsações. Já o discreto e minúsculo The Duet, que pode ser carregado na porta USB do seu laptop e por conta disso vem sendo chamado de iPhod, virou mania entre executivas e mulheres que querem prazer no trânsito ou mesmo durante uma longa viagem de avião. Para os homens a dica é o masturbador elétrico Cobra Libre, que tem as formas de um Shelby Cobra, ícone dos carros esportivos.


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