O piloto que reinventou a relojoaria

Por Juliana Bianchi , iG São Paulo |

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Acostumado a repensar o funcionamento de jatos e sistemas de defesas aéreas, o engenheiro aeronáutico Guy Sémon revolucionou a forma de contar o tempo

Relógios nunca foram a paixão de Guy Sémon. “Sempre tive bons relógios, mas nada muito caro ou com muitas complicações”, afirma com uma sinceridade quase tímida o engenheiro aeronáutico responsável pela maior reviravolta da relojoaria mundial em mais de três séculos. No comando do setor de pesquisa e desenvolvimento da empresa suíça Tag Heuer desde 2007, este ex-piloto de testes do Departamento de Defesa da França e ex-professor de física lançou-se sobre a base da relojoaria e revolucionou a forma de contar o tempo. 

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O premiado Mikrogirder, capaz de registrar meio milésimo de segundo, com 7.2 milhões de batidas por hora. Foto: DivulgaçãoBaseado em um conjunto de hastes vibratórias, o mecanismo criado por Sémon permitiu alcançar uma altíssima frequência. Foto: DivulgaçãoO modelo Mikrotourbillon, da Tag Heuer, funciona com duas plataformas. Foto: DivulgaçãoDetalhe do duplo mecanismo do Mikrotourbillon: muito mais precisão para o modelo clássico. Foto: DivulgaçãoDetalhe do mecanismo eletromagnético do Pendulum, que cria uma espiral virtual para impulsionar o funcionamento do relógio. Foto: DivulgaçãoInspirado nos motores automotivos, o Monaco V4 tem uma microcorreia texturizada para unir as engrenagens . Foto: DivulgaçãoDetalhe do mecanismo do Monaco V4, da Tag Heuer. Foto: Divulgação

Cercado de conceitos e fórmulas trazidas da engenharia, da matemática e da física, Sémon deixou de lado o clássico calibre com balanço espiral para desenvolver um mecanismo baseado em um conjunto de hastes vibratórias que lhe permitiu alcançar uma altíssima frequência. Assim, ganhou não só em inovação, mas em precisão e performance. A ponto de apresentar na última feira de relojoaria, em Basel, um relógio de pulso, o Mikrogirder, capaz de registrar meio milésimo de segundo (ou 5/10.000), com 7.2 milhões de batidas (tic-tacs) por hora. Movimento 250 vezes mais rápido do que o de um relógio normal. Criação digna do Oscar da relojoaria, o Ponteiro de Ouro, entregue no final de 2012, em Genebra.

Mas por que tamanha busca da precisão? “Porque é ela que agrega valor de fato a um relógio. Poder contar os milésimos de segundos no seu pulso é como ter um carro superpotente”, diz o vice-presidente de Ciências e Engenharia da Tag Heuer. Isto é, dificilmente você usará tamanha tecnologia, mas é fantástico saber que a possui. Tanto é verdade que o modelo-conceito, feito apenas sob encomenda e avaliado em cerca de R$ 315 mil (150 mil francos suíços), já tem interessados. “Já foram produzidos uns 15 para colecionadores que apreciam precisão e exclusividade”, completa Sémon, que esteve em São Paulo na última semana para conhecer de perto os consumidores da primeira loja da marca no Brasil. A versão comercial do relógio premiado só deverá ser lançada em dois ou três anos.

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Guy Sémon, vice presidente de Ciência e Engenharia da Tag Heuer

Entretanto, a aura de grande revolucionário da relojoaria contemporânea não veio apenas por essa criação. Em 2007, inspirado nos motores automotivos, lançou o Monaco V4, cujo principio mecânico baseia-se em uma microcorreia texturizada para unir as engrenagens e um peso linear, semelhante aos pistões dos carros, para gerar energia. Com o modelo Grand Carrera Pendulum, lançado em 2010, deu o primeiro passo para se livrar das espirais por meio de um mecanismo eletromagnético que gera uma espiral virtual para impulsionar o funcionamento do relógio. Em seguida veio o MikrotourbillonS, com plataforma dupla que permite ao relógio ter precisão tanto ao medir horas, minutos e segundos, quanto curtos intervalos de tempo, chegando à precisão de centésimos de segundo.

“Seria impossível desenvolver essas peças apenas com mestres relojoeiros. Enquanto eles passam anos replicando complicações (funções), eu, como engenheiro, penso sempre em formas de simplificar”, diz Sémon. Para estimular o olhar arrojado, seu time é composto por engenheiros e profissionais de outras áreas correlatas que trabalham em conjunto com os mestres da relojoaria, em um choque cultural nem sempre tranquilo, mas muito bem-vindo para o processo criativo. “Na Tag Heuer somos como uma orquestra sinfônica, onde cada um toca um instrumento igualmente importante. Não tocamos Mozart. Para isso você deve ir à Patek Philippe”, afirma Sémon. “Para inovar precisamos de diferentes culturas”, completa.

Prova disso deve ser apresentada na próxima edição do Salão de Relojoaria de Basel, marcada para 25 de abril, quando o engenheiro revelará seu novo trabalho. “Vamos levar o movimento de pêndulos eletromagnéticos que cria a espiral virtual ao modelo tourbillion, de forma revisada e melhorada.”

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